A calma de sexta não durou o fim de semana. O petróleo saltou mais de 4% na segunda, com o Brent para entrega em setembro a US$ 78,82 o barril no meio da manhã na Europa, o maior nível desde 22 de junho, e o WTI de volta acima de US$ 74. Os preços que haviam recuado a US$ 76 com as esperanças de distensão romperam uma sequência de duas quedas e saltaram, porque no fim de semana os tiros recomeçaram, o Irã declarou fechado o Estreito de Ormuz e, pela primeira vez em semanas, um ataque atingiu infraestrutura de energia.

O prêmio de guerra volta a subir. O que ele não está fazendo, ao menos por ora, é explodir. A US$ 79, o Brent está cerca de 9% acima de onde estava antes de esta crise começar no fim de fevereiro, e ainda muito abaixo dos US$ 126 que atingiu no pico. O mercado recoloca risco aos poucos, sem precificar um fechamento total.

O Que Aconteceu no Fim de Semana

Pelo terceiro fim de semana seguido, EUA e Irã trocaram fogo. No sábado, a Guarda Revolucionária do Irã disparou tiros de advertência contra uma embarcação que, segundo ela, cruzava sem autorização, e então declarou o estreito fechado até novo aviso. O Comando Central dos EUA diz que o Irã atingiu o porta-contêineres de bandeira cipriota GFS Galaxy, danificando sua casa de máquinas e forçando a tripulação a abandonar o navio. Que o alvo fosse um porta-contêineres, e não um petroleiro, importa: sinaliza uma ameaça a todo o tráfego por Ormuz, não apenas ao petróleo.

O CENTCOM respondeu no domingo com o que chamou de dezenas de ataques contra a capacidade do Irã de atacar navios, atingindo baterias de mísseis, defesas aéreas e lanchas rápidas em locais que incluem a Ilha de Qeshm. A mídia estatal iraniana relatou um oficial da marinha morto, número não confirmado de forma independente. O Irã lançou seus próprios mísseis e drones contra parceiros dos EUA por todo o Golfo, nos Emirados, Catar, Kuwait, Omã e Bahrein.

O golpe mais relevante para o mercado de petróleo foi no Kuwait. Uma plataforma de perfuração offshore da Kuwait Oil Company foi atingida por um drone, com danos e um trabalhador ferido, segundo o ministério da defesa kuwaitiano, que atribuiu o ataque a forças alinhadas ao Irã. Foi o primeiro golpe direto em infraestrutura de energia em semanas, e um lembrete de que o conflito pode alcançar os próprios barris, não só os navios que os transportam.

O Ataque Que Ainda Não Veio

Apesar de tudo isso, o verdadeiro pior cenário do mercado ainda não se materializou. Nenhum ataque atingiu a Ilha de Kharg, o terminal que movimenta cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, e nenhuma infraestrutura de exportação iraniana foi destruída. Trump ameaçou Kharg e um bloqueio naval na semana passada e não agiu sobre nenhum dos dois. Enquanto Kharg seguir de pé e os barris iranianos continuarem a carregar, a interrupção é sobre a rota, não sobre a fonte.

Essa distinção é a razão pela qual US$ 79 não é US$ 110. Um estreito fechado eleva o custo e o perigo de mover petróleo. Um terminal de exportação em chamas retira o próprio petróleo. O mercado precifica o primeiro, não o segundo.

Ormuz Está Se Esvaziando

Se o estreito está legalmente aberto já é uma disputa em si. O Irã diz fechado; o CENTCOM diz que segue aberto ao tráfego comercial. Os dados de tráfego, na prática, pendem para a versão do Irã. Apenas seis embarcações foram rastreadas cruzando Ormuz numa janela de doze horas na semana passada, ante 18 a 22 por dia no início do mês e uma norma de tempos de paz perto de 130. Os prêmios de seguro de risco de guerra subiram a várias vezes o nível pré-crise, e muitos armadores simplesmente se mantêm afastados, receosos de minas e de uma paz inacabada.

Vazio, mas em disputa, é o estado do estreito. Os fluxos estão sufocados, não cortados.

O Excesso de Oferta Ainda Define o Teto

A razão pela qual o prêmio segue esbarrando é a mesma. A OPEP+ concordou neste mês em acrescentar outros 188 mil barris por dia a partir de agosto, seu quinto aumento mensal seguido, e a Saudi Aramco cortou seu preço de venda para a Ásia no maior tanto em décadas. Esse excesso se assenta sob o mercado como um piso sob o medo. Os analistas veem o Brent se mantendo nos US$ 70 altos ao longo de agosto e setembro, sustentado pelo prêmio de risco, mas pouco propenso a revisitar os picos de guerra a menos que a interrupção se aprofunde.

A diplomacia gagueja, em vez de morrer. Negociadores cataris viajaram ao Irã na sexta, e o chanceler Araghchi foi a Omã no sábado especificamente para discutir o estreito. Espera-se outra rodada EUA-Irã nesta semana, possivelmente na Suíça. O Irã diz que não retomará as conversas até que Washington honre seus compromissos sobre navegação e normalize as exportações de petróleo iraniano. Trump diz que a trégua acabou e que tem pouca fé num acordo, enquanto deixa seus negociadores continuarem conversando.

Para o preço, o próximo passo depende de duas coisas: se os mediadores reabrem as conversas antes que o aperto no transporte vire uma escassez real, e se alguém atinge Kharg. Até que uma delas se rompa, o petróleo provavelmente seguirá subindo aos poucos pelo risco, sem a explosão que o excesso de oferta continua segurando.


Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro ou de investimento. As condições do mercado de petróleo podem mudar rapidamente. Consulte um profissional financeiro qualificado antes de tomar decisões de investimento.