O recuo de uma semana terminou, e a trégua também. De madrugada, os Estados Unidos atacaram mais de 80 alvos por todo o Irã, o Irã prometeu uma "resposta esmagadora", e o presidente Trump disse que a trégua que se sustentava desde junho acabou. O petróleo, que passara um mês em queda rumo às suas mínimas de antes da guerra, saltou cerca de 6%. O Brent subiu para cerca de US$ 78,50 e o WTI para US$ 74,45, cada um subindo perto de 6% no dia após tocar níveis mais altos antes.
O prêmio de guerra voltou. O impressionante é quanto dele ainda falta. Há um mês, a mera ameaça de um fechamento de Ormuz carregava US$ 40. Nesta manhã, com forças americanas e iranianas de fato trocando fogo ao redor do estreito, o mercado acrescentou cerca de quatro dólares. O petróleo a US$ 78 é um mercado que precifica um risco sério, não uma via de água fechada.
O Que os EUA Atingiram
O Comando Central dos EUA disse que seus ataques atingiram mais de 80 alvos de madrugada: defesas aéreas, redes de comando e controle, radares costeiros, sítios de mísseis antinavio, e mais de 60 lanchas rápidas da Guarda Revolucionária do Irã dentro e ao redor do estreito. O CENTCOM nomeou a Ilha de Qeshm, Bandar Abbas e Sirik, na costa sul do Irã, como locais dos ataques. A razão declarada foi direta: retaliação pelos ataques de terça a três navios comerciais que transitavam por Ormuz, que o CENTCOM chamou de agressão injustificada e perigosa à navegação civil numa via internacional.
O Irã prometeu responder. Em questão de horas, as defesas aéreas foram ativadas sobre o Bahrein, sede da Quinta Frota dos EUA, e sobre o Kuwait, e sirenes soaram em Manama pela terceira vez nesta semana. Teerã afirmou ter atingido dezenas de instalações americanas no Golfo. Essa afirmação é uma alegação iraniana e não foi confirmada de forma independente, e nenhum número verificado de vítimas surgiu de qualquer dos lados. O que está confirmado é que os dois exércitos agora atiram diretamente um contra o outro pela primeira vez desde a primavera.
A Trégua, Declarada Morta
Falando numa cúpula da OTAN em Ancara, Trump disse que a trégua acabou. "Atacamos com muita força ontem à noite", disse ele sobre os ataques. Deixou um fio intacto, acrescentando que "pode deixar meus maravilhosos negociadores continuarem conversando". A chancelaria do Irã disse que os ataques americanos tornaram inúteis elementos-chave do marco para encerrar a guerra, e o presidente do parlamento Ghalibaf os chamou de grave violação do acordo de junho.
O papelório que sustentava a trégua se desfaz com ela. O Tesouro dos EUA retirou a isenção que permitia ao Irã vender seu petróleo, reimpondo as sanções que o marco de junho havia suspendido. Essa é a peça com a consequência mais direta sobre o preço: retira os barris iranianos do mercado no mesmo momento em que o próprio estreito parece mais perigoso. Ambos os lados agora acusam o outro de romper um acordo que, nesta manhã, mal existe.
Por Que US$ 78 e Não US$ 100
A razão pela qual o prêmio está contido é a mesma que limitou cada alta por um mês. O mercado físico tem excesso de oferta, e os barris continuam a chegar. No domingo a OPEP+ concordou em elevar a produção de novo para agosto, seu quinto aumento mensal seguido, acrescentando outros 188 mil barris por dia. A Saudi Aramco cortou seu preço de venda de agosto para a Ásia em US$ 11 por barril, empurrando o Arab Light para um desconto de US$ 1,50 ante a referência Omã-Dubai. Esse é o primeiro desconto saudita desde as guerras de preços de 2015 e 2020, e o maior corte em décadas. Iraque e Emirados seguiram com os seus.
Um mercado tão bem abastecido não permanece assustado por muito tempo. Os operadores pesam uma ameaça real de oferta no ponto de estrangulamento mais importante do mundo contra um excesso que não se dissipa, e por ora o excesso vence a conta. O movimento para US$ 78 precifica o risco de que os fluxos de Ormuz sejam interrompidos, não a realidade de que tenham parado. O tráfego de petroleiros pelo estreito continuou.
O calendário mais amplo não traz alívio. O sepultamento de Khamenei está marcado para quinta em Mashhad, com sua sucessão ainda indefinida. A janela de 60 dias para transformar o marco interino de junho num acordo final já se fechava rumo a meados de agosto, e agora parece quase trancada. O relatório semanal de estoques da Administração de Informação de Energia, previsto para mais tarde na quarta, cairá num mercado que deixou de se preocupar com os barris em Cushing e voltou a se preocupar com os mísseis sobre o Golfo.
Para o preço, este é o dia mais brusco em um mês. Se é o começo de algo maior ou mais uma alta que o excesso absorve depende do que o Irã fizer a seguir, e de se ainda haverá alguém conversando até o fim de semana.
Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro ou de investimento. As condições do mercado de petróleo podem mudar rapidamente. Consulte um profissional financeiro qualificado antes de tomar decisões de investimento.